domingo, 24 de novembro de 2013

desconheça-me.

Ah, meu bom amigo
eu conheço o teu desejo
e é para desiludir-te
que agora vos escrevo.

Não procures conhecer-me inteira
se pretendes ao meu lado ficar
Pense, quão chata eu seria
se pudesses me desvendar!

O que mais gosto em ti,
se te serve de exemplo
é a pergunta que trazes oculta
por detrás desses olhos negros.

Se o teu mistério findasse
de tristeza me abateria.
Que praga, que moléstia
o conhecimento de ti me traria.

Então aquiete-se amigo
pois recuso a me revelar.
Nem eu conheço tudo de mim
para que possa lhe explicar.

Conforme-se meu amigo,
se ao meu lado queres permanecer
é essencial que se acostume
a me desconhecer.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

prática


 As linhas profundamente gravadas na minha palma.
As observo e procuro meu caminho,
nesse percurso um retrocesso,
olho para trás e me reinvento.

Lembro da palma quente de minha mãe,
do seio terno.
O sinal ardido de uma palmada.
Lembro do contorno da minha mão torto e desfigurado
marcando a minha palma no papel.

E lembro dos acertos, dos tropeços,
dos risos e dos abraços.
De tudo o que vi e de tudo o que me  viu.
E olho a minha palma com suas linhas
profundamente gravadas...
E percebo que meu caminho sou eu.


sábado, 16 de novembro de 2013

SÓ MAIS UMA DE POETA

Anseios e devaneios
Nos quatro cantos obscuros da alma.
Um tom e um desejo
Que proclamam a singeleza da falha.
A falta enrubesce a face
E causa desespero
O medo antecede a morte
E a morte é só o ensejo.
Procuro no âmbito estranho
O sentido perdido e nato
Passo as mãos pelo oceano
E recalco o tato.
Eu olho para os olhos vazios
Ansiosos de mais estrago
E sinto a sinceridade
Do desejo abstrato.
Na caçada envolvente da noite
A observar o retrato
Sem esquecer do beijo
Que outro dia foi dado
Pulando de sonho em sonho
Sorrindo enquanto durmo
É mesmo interminável
O onírico indecifrável...

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Onde estão os grandes amores?
Porque eu cansei de amor de brinquedo.
De achar que alguém se importa comigo
Quando na verdade não o é.
Eu quero rasgar minha alma
Sem vergonha de mostrar a neurótica que sou
Sem medo de entregar minha histeria
Minha obsessão
De bandeja, de antemão.
Eu cansei de suspirar por alguém que não liga
Eu cansei de chorar por alguém que se quer se importa
Que não nota...
Eu estou disposta a entregar meus sentimentos
Mas se isso valer a pena
Eu quero reciprocidade
E quero agora, quero já!
Já não quero esperar pelo amanhã
Pelo dia melhor
Pelo nascer do sol
Eu quero que ele brilhe agora mesmo
Cansei de andar a esmo
Sem motivo nem espera
Eu quero um abraço quente
Envolvente
Que me faça ter a certeza
De que há um alguém.
Que me faça ter a certeza
De que alguém me percebe especial
Não pela beleza, pelo externo, pelo fino trato
Ou inteligência
Mas simplesmente por ser eu!
Isso é tão lindo, tão simples e tão puro...
Eu quero aprender a me fazer
Indiferente.
Brincar com as palavras
Como se brinca com gente.
Eu cansei do seu desdenho
Do seu pouco fazer, do pouco querer!
Eu quero muito
Intensidade
Eu quero sentir
E quero agora
Insanidade
Pois quem foi que disse que paixão é racional?
Talvez seja pra ser assim mesmo
Vociferar o lado mais grotesco e animal.
Eu quero grandes amores
Eu quero alguém que ocupe o coração.

E quero agora...