Ah, meu bom amigo
eu conheço o teu desejo
e é para desiludir-te
que agora vos escrevo.
Não procures conhecer-me inteira
se pretendes ao meu lado ficar
Pense, quão chata eu seria
se pudesses me desvendar!
O que mais gosto em ti,
se te serve de exemplo
é a pergunta que trazes oculta
por detrás desses olhos negros.
Se o teu mistério findasse
de tristeza me abateria.
Que praga, que moléstia
o conhecimento de ti me traria.
Então aquiete-se amigo
pois recuso a me revelar.
Nem eu conheço tudo de mim
para que possa lhe explicar.
Conforme-se meu amigo,
se ao meu lado queres permanecer
é essencial que se acostume
a me desconhecer.
Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais: somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos 'sem querer'. - Sigmund Freud
domingo, 24 de novembro de 2013
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
prática
As linhas profundamente gravadas na minha palma.
As observo e procuro meu caminho,
nesse percurso um retrocesso,
olho para trás e me reinvento.
Lembro da palma quente de minha mãe,
do seio terno.
O sinal ardido de uma palmada.
Lembro do contorno da minha mão torto e desfigurado
marcando a minha palma no papel.
E lembro dos acertos, dos tropeços,
dos risos e dos abraços.
De tudo o que vi e de tudo o que me viu.
E olho a minha palma com suas linhas
profundamente gravadas...
E percebo que meu caminho sou eu.
sábado, 16 de novembro de 2013
SÓ MAIS UMA DE POETA
Anseios e devaneios
Nos quatro cantos obscuros da alma.
Um tom e um desejo
Que proclamam a singeleza da falha.
A falta enrubesce a face
E causa desespero
O medo antecede a morte
E a morte é só o ensejo.
Procuro no âmbito estranho
O sentido perdido e nato
Passo as mãos pelo oceano
E recalco o tato.
Eu olho para os olhos vazios
Ansiosos de mais estrago
E sinto a sinceridade
Do desejo abstrato.
Na caçada envolvente da noite
A observar o retrato
Sem esquecer do beijo
Que outro dia foi dado
Pulando de sonho em sonho
Sorrindo enquanto durmo
É mesmo interminável
O onírico indecifrável...
Anseios e devaneios
Nos quatro cantos obscuros da alma.
Um tom e um desejo
Que proclamam a singeleza da falha.
A falta enrubesce a face
E causa desespero
O medo antecede a morte
E a morte é só o ensejo.
Procuro no âmbito estranho
O sentido perdido e nato
Passo as mãos pelo oceano
E recalco o tato.
Eu olho para os olhos vazios
Ansiosos de mais estrago
E sinto a sinceridade
Do desejo abstrato.
Na caçada envolvente da noite
A observar o retrato
Sem esquecer do beijo
Que outro dia foi dado
Pulando de sonho em sonho
Sorrindo enquanto durmo
É mesmo interminável
O onírico indecifrável...
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Onde
estão os grandes amores?
Porque
eu cansei de amor de brinquedo.
De
achar que alguém se importa comigo
Quando
na verdade não o é.
Eu
quero rasgar minha alma
Sem
vergonha de mostrar a neurótica que sou
Sem
medo de entregar minha histeria
Minha
obsessão
De
bandeja, de antemão.
Eu
cansei de suspirar por alguém que não liga
Eu
cansei de chorar por alguém que se quer se importa
Que
não nota...
Eu
estou disposta a entregar meus sentimentos
Mas
se isso valer a pena
Eu
quero reciprocidade
E
quero agora, quero já!
Já
não quero esperar pelo amanhã
Pelo
dia melhor
Pelo
nascer do sol
Eu
quero que ele brilhe agora mesmo
Cansei
de andar a esmo
Sem
motivo nem espera
Eu
quero um abraço quente
Envolvente
Que
me faça ter a certeza
De
que há um alguém.
Que
me faça ter a certeza
De
que alguém me percebe especial
Não
pela beleza, pelo externo, pelo fino trato
Ou
inteligência
Mas
simplesmente por ser eu!
Isso
é tão lindo, tão simples e tão puro...
Eu
quero aprender a me fazer
Indiferente.
Brincar
com as palavras
Como
se brinca com gente.
Eu
cansei do seu desdenho
Do
seu pouco fazer, do pouco querer!
Eu
quero muito
Intensidade
Eu
quero sentir
E
quero agora
Insanidade
Pois
quem foi que disse que paixão é racional?
Talvez
seja pra ser assim mesmo
Vociferar
o lado mais grotesco e animal.
Eu
quero grandes amores
Eu
quero alguém que ocupe o coração.
E
quero agora...
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